Mensagem de Natal para os lutadores

Queridos leitores e leitoras,

Boa noite. 2016 foi o melhor dos anos, foi o pior dos anos; foi um ano razoável pra uns, foi um ano qualquer pra outros. No geral, foi mais um ano que veio e que se foi, nem historicamente o melhor, nem de longe o pior da humanidade – isso, aliás, se os anos puderem ser medidos em termos de qualidade.

O que importa é que logramos em atravessar mais doze meses e embarcar num novo, talvez bom, talvez ruim ano. O futuro não exatamente importa e o presente, por ser imutável, não deve nos afetar; o melhor que qualquer ser humano pode fazer é focar no presente, e este, ao menos para mim, está divino, como espero que também esteja para vocês.

O Natal é a época mais feliz de todos os anos, portanto nada melhor do que vivenciá-lo plena e completamente. Nesta véspera, eu tive uma ótima, ainda que módica ceia com minha família, que tem o costume de deixar as melhores refeições para as tardes de domingo. Após publicar esta mensagem, eu sairei para a rede na varanda do meu apartamento e aproveitarei um ótimo vinho, assim como aproveitarei também na tarde seguinte, folgada e despreocupada, tendo apenas que escrever mais umas páginas de meu livro e – voilá! – continuar relaxando após, provavelmente, ter dormido já por toda uma manhã.

Somos todos, eu e minha família, ricos e unidos, prósperos e felizes, então posso dizer que meu Natal é um dos melhores que uma pessoa pode ter. Estou ciente de que muitos de vocês não têm as mesmas condições, e que alguns não podem nem se dar ao luxo de “parar a vida” por um dia e celebrar esta data memorável.

Eu gostaria de falar especialmente com vocês lutadores, guerreiros sofredores, embora não tenha ciência de seus percalços e provavelmente não tenha conhecido um décimo dos problemas materiais ou familiares que vocês enfrentam.

Eu não os conheço, mas os respeito tanto quanto um homem pode respeitar seu semelhante. Vocês que trabalham e se esforçam – principalmente num país onde trabalho e esforço individual, sem falar de frugalidade e sobriedade e sensatez, são tão menosprezados – vocês são os heróis invisíveis e indispensáveis do mundo, as peças pequenas e vitais sem as quais nenhuma sociedade funciona.

Se a humanidade lutou para sair das tribos e chegar à civilização, ela só o fez por pessoas como vocês, que, independente dos reveses, das agruras, da própria vida, se levantam, se deslocam, se matam de trabalhar e se jogam de novo na cama até o dia seguinte, quando se levantam, se deslocam, se matam outra vez de trabalhar, ad infinitum.

Muitos de vocês talvez sejam como eu, pobres escritores com muita ambição e muita coisa boa, fantástica para mostrar, mas sem ninguém disposto a ver, ler ou ouvi-las. Como alguém sem sucesso (comercial) na escrita, ou mesmo alguém que sequer conseguiu grande fortuna pelo trabalho próprio (consigo me sustentar, mas nada além disso), tampouco posso ser cretino para dizer que “a vida vai melhorar”.

O provável, ora, é que nunca melhore. Dez mil batalham todos os dias, dez mil morrem todos os dias, com talvez um ou outro guerreiro, por motivos que superam a compreensão humana, alcançando o sempre tão elusivo “sucesso”. É sempre bom, claro, almejarmos ser esses felizardos, mas não devemos depositar nossas expectativas nisto que não passa, no fim das contas, de mero sonho.

Pelo bem de nossas sanidades, pois, o melhor é focarmos no presente, com nossas cabeças erguidas e compenetradas, nossos pés no chão e nossas energias voltadas para o trabalho, dia após dia incansavelmente, a despeito de todas as humilhações e negações que a vida nos manda e continuará nos mandando.

Disso, é claro, não tenho autoridade para falar, pois são vocês os verdadeiros lutadores, os autênticos zés-ninguém sem um tostão furado no bolso que, ignorando todas as probabilidades, trabalham, sofrem e batalham por uma vida menor. Eu sou um zé-ninguém sortudo, endinheirado, enquanto vocês talvez nem esta sorte tenham, o que só torna sua batalha tão mais honrosa.

Eu os admiro. Eu os celebro. Independente de toda a ignorância e hipocrisia que os cercam, vocês lutam, firmes e fortes, simplesmente lutam por suas ambições e suas pessoas queridas, e com seu heroico sacrifício constroem uma sociedade mais rica, próspera e tolerante às próximas gerações de lutadores.

Mesmo que não possam descansar, e mesmo que 2016 tenha de fato sido o pior de todos os seus anos, eu quero que saibam que pelo menos este zé-ninguém aqui torce por vocês, e que minha admiração por sua valentia mal cabe em palavras.

Vocês são meus ídolos, assim como são os ídolos da humanidade, pois com seus sacrifícios vocês constroem a humanidade. Não se esqueçam disso neste belo Natal, e muito menos nos seus próximos dias de ferozes lutas e árduas batalhas.

Vocês são incríveis, e nada mais justo do que uma mensagem de gratidão nesta que é a mais incrível das datas.

Um feliz Natal para todos e muita prosperidade (ainda que não material) para os lutadores do mundo.

Com muita atenção e carinho, seu escritor,

Diogo Cysne.

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